Amar sem Interesse
20.11.2010
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Ficamos decepcionados, tristes, será que uma pessoa pode mudar tanto em tão pouco tempo? Provavelmente não! O que mudou, ou melhor, veio à tona, foi o nosso jeito de amá-la. São Paulo nos escreve: O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. (I Cor 13,1-7). Jesus quando escolheu os doze, não escolheu pessoas que nunca fossem decepcioná- lo, pelo contrário, escolheu pessoas extremamente limitadas, algumas grosseiras e vingativas como João e Tiago, apelidadas de filhos do trovão (Lc 9,54 e Mc 3,17), preconceituosas como Natanael (Jo 1,46), incrédulas em muitos momentos como Tomé (Jo 20,25), inconstantes como Simão (Jo 18,17) e capitalistas como Judas Iscariotes (Mt 26,15), e Ele conseguiu enxergar além de suas limitações e os ajudava a vencê-las. Sabe irmão, temos a mania de querermos ao nosso lado somente pessoas perfeitas, pessoas ilimitadas, santas. Mas é claro que aqui na terra não encontramos pessoas assim e por isso nos frustramos.
A nossa decepção nasce no momento em que os outros não correspondem àquilo que nós esperávamos. Costumamos esquecer que os outros são de carne e osso, assim como nós, e que estão em processo de aprendizagem, e isso significa errar muitas vezes e aprender com os erros, seus e dos outros. É preciso amar desinteressadamente, e isso amado, não é fácil, mas é possível, tenho tentado fazer isso seguindo alguns critérios, talvez o ajude, são eles: Não importa quantas vezes ou de que forma alguém nos decepcione, vou amá-la assim mesmo, porque meu amor não pode estar vinculado aos acertos do outro e sim a minha decisão madura de amá-la. Não importa quantas vezes tenha que recomeçar o processo de descoberta das virtudes do outro (e ele tem), vou fazê-lo, pois tenho que vislumbrar a essência e não a aparência do outro. Não importa quantas vezes o outro caia, estarei perto para levantá-lo. Não importa se todos ao nosso redor desistam do outro, eu nunca desistirei. E finalmente nunca, nunca deixar de amá-lo, é decisão. Que o amoroso Jesus nos capacite nesta tarefa, pois, quando chegarmos a nossa Morada Celeste, não seremos reconhecidos pelas nossas pregações, orações etc. e sim pela medida com que amamos aos outros. Fiquem na Paz. Bráulio O. Távora (Conselheiro Arquidiocesano da RCC-Vitória/ES)



Bráulio, é muito bom refletirmos este assunto, o nosso seguimento à Jesus, depende deste exercício diário de amar àqueles que julgamos não serem os mais comprometidos com a palavra. Corremos sérios riscos de nos afastarmos daqueles ao qual é missão nossa(e dada pelo próprio Pai) de amar e amar com total intensidade, mesmo e principalmente nas adversidades. Que Deus te abençoe e te unja sempre nesta caminhada de anunciador do Evangelho.Está sendo muito bom para mim hoje fazer esta reflexão.
Fique com Deus.