A Unidade dos Cristãos e a Paz do Mundo
08.06.2011
This post was published 11 meses 12 dias ago which may make its actuality or expire date not be valid anymore. This site is not responsible for any misunderstanding.Por: Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife – PE
Quando vemos os conflitos e guerras que sangram o mundo atual, nos damos conta de como seria importante que as Igrejas cristãs se unissem em uma ação conjunta em favor da paz e da justiça internacional e conseguissem mobilizar em um diálogo profundo as outras religiões a serviço das melhores causas da humanidade.
Uma das mais profundas graças divinas do nosso tempo é que existem muitas iniciativas de diálogo e de busca de unidade entre as diferentes Igrejas. Uma das mais importantes é a Semana de oração pela unidade dos cristãos. A cada ano, no hemisfério norte, em janeiro e no sul do mundo, nos dias que antecedem a festa de Pentecostes, várias Igrejas consagram uma semana à oração e ao diálogo pela unidade dos cristãos. Isso ocorrerá nesta semana e, em todo o Brasil, contará com cultos ecumênicos, encontros de oração e iniciativas de diálogo entre as Igrejas. A cada ano, uma federação local de Igrejas escolhe um tema comum. Em geral, estes temas têm sido propostos por Igrejas do mundo dos pobres. Neste ano, o tema escolhido vem da descrição que a Bíblia faz da primeira comunidade cristã em Jerusalém: “Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2, 42).
Mais do que uma descrição da realidade, a unidade da primeira comunidade cristã é uma proposta de vida e um objetivo a ser alcançado por todas as Igrejas. Sempre que se conseguiu atingir este ideal, foi em meio à grande diversidade de culturas e de formas de expressar a fé. No tempo do Novo Testamento, uma parte das comunidades cristãs era de pessoas vindas do Judaísmo, marcadas pela tradição judaica. Na mesma comunidade, havia irmãos e irmãs convertidos de cultos orientais e do mundo cultural grego. Mesmo a partir desta diversidade cultural e teológica, havia uma unidade de fé e ação. Conforme o livro dos Atos dos Apóstolos, esta unidade deve se basear no ensinamento que os discípulos receberam de Jesus, na comunhão da vida, na repartição do alimento e nas orações em comum.
Este ensinamento dos apóstolos se concretiza através do testemunho dos irmãos e irmãs que viram Jesus ressuscitado, presente na comunidade. O mais importante sinal desta presença divina é a “partilha do pão”, a Eucaristia, sinal eficaz da presença de Jesus ressuscitado entre nós e profecia de uma comunidade humana baseada na fraternidade e na partilha da vida e dos bens.
Hoje, “unir-se em torno do ensinamento dos apóstolos” chama as Igrejas a se constituírem como Igrejas pascais, abertas à missão e capazes de dialogar com o mundo atual. A comunhão fraterna e a repartição do pão recordam que a vocação da Igreja cristã é ser profecia de um mundo novo e de partilha.
A unidade dos cristãos não é um projeto apenas eclesiástico. Deseja unir as comunidades que crêem em Cristo no serviço solidário para construirmos juntos um mundo de comunhão e de paz. Afinal, segundo o evangelho, na véspera de sua paixão, Jesus orou ao Pai: “que todas as pessoas que crêem em mim sejam unidas, como Eu e Tu somos Um, para que o mundo possa crer que Tu me enviaste” (Jo 17, 19). Nestes dias em que oramos especialmente para que o Pai derrame sobre nós e sobre o mundo os dons do seu Espírito, é importante que a nossa arquidiocese se apresente como uma Igreja acolhedora e aberta ao diálogo e à colaboração com todos pela paz e pela justiça no mundo.


